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12 agosto 2014

[Eu leio] Sobre a forma de sentir


O  texto a seguir foi feito pela escritora do blog Reticências que leio/ acompanho.

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       Terminou de ler o livro levantou os olhos e olhou-o com olhar travesso. Levantou-se do sofá foi até o computador onde ele estava e puxou-o. Encostou-se na parede, puxou-o pra mais perto entregou um delineador labial e disse em voz suave:

       - Contorne os meus lábios. 

       Ele olhou-a suspeito e sem entender, mas fê-lo lenta e cuidadosamente. Depois ela pegou o objeto da arte e colocou-o na mesinha ao lado. Desabotoou a camisa dele lentamente encostou seu ouvido no peito dele, pegou um batom e desenhou um coração em seu devido lugar. Ainda sem entender olhou-a curioso, mas não disse nada. Não sabia onde queria chegar, mas conhecendo-a sabia que tudo isso tinha um propósito.

     Desde o primeiro contato no café onde ela trabalhava e ele frequentava todos os dias depois do trabalho, tornaram-se amigos instantaneamente. Sempre admirou sua inteligência mordaz, sua língua ferina e seu senso de humor. Era ágil em pensar e atender os clientes. Tudo ao mesmo tempo. Admirou o modo de agir dela quando descobriu que o namorado a traíra com a melhor amiga. Mas também conhecia seus defeitos como ninguém. Seu jeito autoritário, sua maneira de demonstrar fortaleza, quando na verdade era totalmente delicada e quebrável, seu sonambulismo, que na verdade ele achava mais divertido que defeituoso. No dia em que ele decidiu zombar dela sobre isso, ela sem nenhuma afetação disse: 

     - Você ronca como um carro velho e nem por isso te julgo. 
      
     Ah, como ele amava essas respostas mordazes dela. Amava mesmo seus defeitos. Sim, descobriu algum tempo depois que estava apaixonado por ela. Perdidamente. Mas ela vivia dizendo que ele era o melhor amigo que ela já teve na vida. 
      
       Entregou a ele um delineador preto para olhos  e disse a ele. 

     - Contorne meus olhos. Já não aguentando de curiosidade, perguntou: 

      - Pra que tudo isso? 

      - Só contorne. 

       Ele o fez. 

      - Pronto. Agora eu sei a forma do seu coração e você sabe a forma dos meus olhos e dos meus lábios. Sabe, um dia desses, enquanto terminava o meu trabalho da faculdade na mesinha de centro da minha sala, você dormia no sofá de costas pra mim. Eu fiz com um dedo toda a forma das suas costas, desde o ombro até a cintura, e percebi que se quisesse enlaçar as minhas pernas na sua cintura, elas teriam um encaixe perfeito. 

- É?
- É. 

- E agora? O que acontece? 

-Agora tenha a decência de me beijar.


06 agosto 2014

[ Eu leio ] Minha autora favorita

Eu sempre falo sobre livros e o quanto os amo. É uma das coisas que mais amo comprar. É um prazer indescritível sentir o cheirinho deles, sendo eles novos ou velhos. 
Nesse post quero falar um pouco sobre minha autora favorita.    *_* 
Jeannette Walls é de longe a minha autora favorita, seguida de Colleen Hoover. Ambas tem um jeito de escrever tão delas, que fica até difícil eu conseguir comparar com algo. Não vou fazer resenha (pq não gosto de resenhar) e nem vou falar muito sobre a vida dela (pq já fiz isso em algum post anterior). 
Vira e mexe eu arranjo um pretexto pra fazer propaganda sobre O Castelo de Vidro, rsrs. Ele é um livro tão especial pra mim, que quero que todos o leiam e conheçam o quão especial foi e é a vida da Jeannette. 
Quando o li pela primeira vez eu fiquei chocada, e triste, e feliz, e indignada, e abobalhada. Sim, eu senti tudo isso. Na época, eu ainda não era mãe e mesmo assim fiquei me perguntando como um ser que deveria cuidar e proteger, conseguia agir com tamanho desdenho para os problemas que afogava a família. Hoje, essas questões não sumiram da minha mente, pelo contrário, só batem e batem com mais intensidade. E é isso que faz dele um livro tão especial, tocante e marcante. A história é tão trágica e absurda que chega a ser extremamente engraçada. E apesar de ficar assim [:O] pra quase tudo que acontecia com aquela família, eu também ria até a barriga doer. Não tem graça alguma rir da tragédia alheia, eu sei. Mas Jeannette faz com que a vida dela pareça algo extremamente cômico. E esse é um dos motivos que me fizeram admirá-la tanto. Ela nunca deixou a peteca cair. 
Um traço marcante nos livros da Jeannette, é o desleixo e o descaso na relação mãe e filha. O que me coloca mais uma vez pra fritar os miolos e fazer o contrário na minha relação como mãe. 
Espero que todos que ainda não tiveram a oportunidade de ler, o leiam. Vale apena. Ele é tão incrível que já tem proposta para estrear nas telonas. E que isso aconteça logo!
Aproveitei que estava dando uma checada nos livros da Jeannette e tirei algumas fotos pra mostrar um pouco da minha coleção. Eu leio de tudo, não sigo nem um tipo de padrão. Leio o que tenho vontade e me atrai. E é assim que eu sou feliz. 
Hoje, tenho cerca de 250 livros. Quantidade que vou aumentando aos poucos, já que os preços nas livrarias não ajudam.